quarta-feira, 23 de março de 2016

A ESTRUTURA DO CENTRO CIRÚRGICO E A UNIDADE DE RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA

Definição de Centro Cirúrgico:  O Centro Cirúrgico(CC) é o setor no qual são realizadas intervenções cirúrgicas, com uma infraestrutura complexa, planejada e equipamentos de tecnologia avançada com seguimentos de requisitos para a prática  da cirurgia.
Objetivo do centro cirúrgico 
O principal objetivo da Unidade de Centro Cirúrgico é o de atender, da melhor maneira possível, o paciente que será submetido a um procedimento cirúrgico, seja ele eletivo, de urgência ou emergencial, propiciando à equipe cirúrgica todas as condições de atendimento e ao paciente a certeza de um atendimento seguro.

Finalidade do centro cirúrgico 
As principais finalidades do Centro Cirúrgico são: 
realizar intervenções cirúrgicas e devolver o paciente à sua unidade de origem na melhor condição possível de integridade; 
servir de campo de estágio para o aperfeiçoamento de recursos humanos; 
servir de local de pesquisa e aprimoramento de novas técnicas cirúrgicas e assépticas. 

Área física do centro cirúrgico

Estrutura física Devido ao seu risco:
Não restrita : as áreas de circulação livre ( vestiários, corredor de entrada  e sala de espera de acompanhantes). 
Semi-restritas : pode haver circulação tanto do pessoal como de equipamentos, sem contudo provocarem interferência nas rotinas de controle e manutenção da assepsia( salas de guarda de material, administrativa, , copa e expurgo) 
Restrita - o corredor interno, as áreas de escovação das mãos e a sala de operação (SO) ; para evitar infecção operatória, limita-se a circulação de pessoal, equipamentos e materiais. 

Localização 
deve ocupar área independente da circulação geral, ficando, assim, livre do trânsito de pessoas e materiais estranhos ao serviço; 
possibilitar o aceso livre e fácil de pacientes provenientes das Unidades de internação Cirúrgicas, Pronto Socorro e Terapia Intensiva, bem como o encaminhamento dos mesmos às Unidades de origem. 

Área de recepção do paciente - 
É a área reservada para recepcionar e transferir pacientes da maca proveniente da Unidade de internação para a do Centro Cirúrgico. Assim, deve ter espaço suficiente para o recebimento de maca, permitindo a circulação sem prejuízo do transporte ou risco para o paciente.

Sala de cirurgia ou operação  
É a área destinada à realização de intervenções cirúrgicas e endoscópicas. Segundo o Ministério da Saúde, o número de salas de cirúrgicas para a Unidade de Centro Cirúrgico é quantificado com base na capacidade de leitos do hospital. Preconizam-se duas salas para cada 50 leitos não especializados ou para cada 15 leitos cirúrgicos.
Deve ter suas dimensões adequadas de acordo com a quantidade de equipamentos necessários aos tipos de intervenção cirúrgica e especialidade cirúrgica. 
A SO deve estar sob pressão positiva em relação aos corredores, o que minimiza a entrada de ar desses locais para o interior da sala de operação. 
O número de pessoas na sala de operação deve ser restrito ao cirurgião e um ou dois auxiliares (de acordo com a complexidade do procedimento do CC) anestesiologista e circulante de sala, considerando sempre que, quanto maior o número de pessoas, maior a possibilidade de disseminação de microrganismos no ambiente. 
Convém evitar movimentação desnecessária de portas (que deverão permanecer fechadas) conversas excessivas ou demais distrações.

Sala de Recuperação Pós-anestésica 
Local destinado à permanência do paciente após o ato anestésico - cirúrgico. O número de leitos vai depender dos tipos de cirurgia previstos. De um modo geral, estimam-se dois leitos por sala cirúrgica.

Lavabos ou Área de Escovação 
Local onde se realiza a escovação/degermação das mãos e antebraços da equipe cirúrgica e anestésica. Recomenda-se, para até 2 salas, duas torneiras para casa uma; para mais de duas salas, devem ser projetadas duas torneiras para cada novo par de salas. O local de escovação deve ser próximo às salas de cirurgias, a fim de reduzir o tempo de exposição da área escovada ao meio ambiente. As torneiras devem ser acionadas por pedal ou com o cotovelo, como também os recipientes para antissépticos. 
Os tanques devem ser instalados numa altura de mais ou menos 90 cm, para favorecer a mecânica corporal no ato da escovação. Neste local devem ser colocados os recipientes para escova e solução antisséptica.

Sala de Material Esterilizado 
Local onde o material esterilizado (como pacotes de roupa, compressas, gazes, caixas de instrumentais etc.) é guardado até o momento da sua distribuição para a sala de cirurgia. 
A área física não deve permitir o cruzamento de material estéril com material contaminado. Essa área deve ser fechada e possuir sistema de renovação de ar. 
Sua temperatura ambiente deve ser mantida abaixo de 25ºC, sendo o ideal até 21ºC,  e a umidade relativa do ar entre 30% e 60%.

Sala de guarda de equipamentos 
Área para guardar e receber equipamentos que são necessários a determinados procedimentos cirúrgicos, evitando o deposito de materiais e equipamentos nos corredores, o que prejudicaria a circulação interna do Centro Cirúrgico.

Sala de depósito de cilindros de gazes 
Este local está destinado pra guardar cilindros de oxigênio e óxido nitroso mesmo que o sistema de distribuição seja centralizado.

Sala de medicamentos e material médico-hospitalar 
Área destinada à guarda de medicamentos e materiais de consumo esterilizados para atender ao ato anestésico-cirúrgico.

Sala de espera 
É a área destinada aos familiares ou acompanhantes do paciente, enquanto aguardam o termino da cirurgia e a alta deste da Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA). Este ambiente deve ser provido de poltronas confortáveis com assentos confortáveis e sanitários anexos.

Sala administrativa 
É o local destinado ao controle administrativo da Unidade, concentrando a chefia de enfermagem e a secretaria.

Sala de material de limpeza 
Destinada à guarda de utensílios e equipamentos de limpeza, sendo importante a presença de tanque com torneira, suporte de papel-toalha e lixeira com tampa e pedal.

Rouparia 
É a área destinada a armazenar a roupa de uso na Unidade, tais como lençóis de maca, de mesa cirúrgica, entre outros.

Expurgo 
Local destinado a eliminação de matéria orgânica proveniente das salas de cirurgia como secreções e excreções do paciente.

Área de transferência para macas 
Essa área é importante para evitar a circulação interna de macas que percorrem todo o hospital. As macas devem ser mantidas limpas e submetidas à desinfecção após o uso, entre um paciente e outro.
ativa do ar entre 30% e 60%.

Sala ou laboratório de anatomia patológica 
É a área que se destina à realização de exames anatomopatológicos específicos e rápidos, como a biópsia de congelação. Esta sala pode ser dispensada, quando o laboratório estiver situado nas proximidades do Centro Cirúrgico. 

Laboratório para revelação de chapas 
É a área utilizada para revelar radiografias, mas que também pode ser dispensável quando a Unidade de Radiologia estiver situada próximo ao Centro Cirúrgico. 

Corredores 
Devem ser amplos e possuir protetores laterais nas paredes, preferencialmente de madeira ou metal, a fim de evitar o impacto entre as macas e as paredes.

Vestiários 
O Centro Cirúrgico deve ter dois vestiários, um feminino e um masculino, com sanitários e chuveiros completos e armários individuais, e duas portas, de modo que o fluxo externo de pessoas independa do fluxo interno. 
Assim, devem estar localizados na entrada do Centro Cirúrgico, de modo que os profissionais, e outras pessoas que venham da área de circulação externa, só possam ter acesso ao setor após a troca de roupa em uso por uniforme próprio e privativo para o local. Este consta de calça comprida, túnica, gorro, pro-pés e máscara. 
Os vestiários são barreiras físicas, considerando que estas estão definidas como “aqueles ambientes que minimizam a entrada de microrganismos externos”.

Copa 
É importante para evitar o fluxo e dispersão de pessoal no Centro Cirúrgico. É o local próprio e restrito para alimentação, evitando o uso incorreto de outros ambientes do Centro Cirúrgico.

ASPECTOS A CONSIDERAR NA ESTRUTURA FÍSICA

Teto 
Conforme a Portaria 1.884/94 do Ministério da Saúde, o teto do Centro Cirúrgico deve ser continuo, sendo proibido o uso de forro falso removível (BRASIL, 1994). 
Paredes 
Deve ter as superfícies lisas e laváveis, de cor neutra, tinta fosca, cantos arredondados sem rodapé, com acabamento côncavo, para reduzir a deposição de microorganismos. As paredes devem ser mantidas em bom estado de conservação. 
Portas 
As portas devem ser do tipo vaivém, sem maçanetas e com visores, para evitar o trânsito desnecessário dentro da sala de operação.
Janelas 
Devem ser do tipo basculante, sem parapeitos, dentro e fora, com vidro fosco, vedadas e teladas em malha fina, para evitar a passagem de insetos. Deve permitir entrada de luz natural.
Ventilação 
O objetivo de uma ventilação adequada é a remoção de microorganismos, além de prevenir a sua entrada e promover a exaustão dos gases anestésicos utilizados durante as cirurgias. A ventilação deve manter o ambiente confortável e controlar a umidade diminuindo os riscos de produção de fagulhas eletrostáticas.
A NBR 7256, citada na Portaria 1.884/94 do Ministério da Saúde, regulamenta a ventilação da sala de operações nas seguintes condições (BRASIL, 1994): 

condições físicas: temperatura mínima de 19ºC e máxima de 24ºC, com umidade relativa do ar correspondente a 45% a 60%. 
vazão pro minuto do ar exterior: 15m% (ml/h) 
troca do ar ambiental: 2 s/h 
insuflamento e exaustão do ar filtrado 
nível sonoro de instalação mínima 
pressão positiva em relação ao ambiente contíguo 
preconizam-se que as entradas de ar estejam localizadas o mais alto possível, em relação ao nível do piso, devendo estar afastadas das saídas, que são localizadas próximas ao piso. Ambas as aberturas devem ser providas de filtros.
 • Iluminação 
A iluminação artificial deve ser de cor natural, para não altear a coloração da pele e mucosas do paciente e não deixar sombras. 
A iluminação do campo cirúrgico, em especial é realizada com os focos central ou fixo, auxiliar e frontal. O foco tem por finalidade: 
oferecer luz semelhante à natural, de modo a não alterar a cor da pele e mucosas do paciente. 
fornecer iluminação adequada ao campo cirúrgico, sem projeção de sombras e emissão de reflexos. 
produzir o mínimo de calor possível no campo operatório. 
• Instalações elétricas 
Preconizam três conjuntos com quatro tomadas cada, em paredes distintas, alimentadas por circuitos críticos e uma tomada para aparelho de raios X. 
Como medida de segurança as tomadas devem estar localizadas a 1,5 m do piso, devendo possuir sistema de aterramento para prevenir choque e queimaduras no paciente e equipes.

EQUIPAMENTOS USADOS NO CENTRO CIRÚRGICO
Os equipamentos básicos utilizados na sala de operação são classificados em fixos e móveis. 
A - Equipamentos fixos 
São aqueles adaptados à estrutura física da sala cirúrgica. 
Tais como: 
• Foco central; 
• Negatoscópio; 
• Sistema de canalização de ar e gases; 
• Prateleira (podendo estar ou não presente). 
B - Equipamentos móveis 
São aqueles que podem ser deslocados de uma para outra sala de operação, a fim de atender o planejamento do ato cirúrgico de acordo com a especificidade, ou mesmo serem acrescidos durante o desenvolvimento da cirurgia. São estes: 
• mesa cirúrgica e acessórios: colchonete de espuma, perneiras metálicas, suporte de ombros e arco para narcose. Atualmente, já estão no mercado mesas cirúrgicas totalmente automatizadas, o que permite várias configurações, a partir da simples troca de acessórios e módulos, e possibilita movimentos suaves e precisos em todas as direções e em ângulo de quase 180º. 
• aparelho de anestesia, contendo “kits” de cânulas endotraqueais e de Guedel: laringoscópios; pinças de Magil e esfigmomanômetro; 
• mesas auxiliares para instrumental cirúrgico, de Mayo e para pacotes de roupas estéreis; 
• bisturi elétrico ou termocautério; 
• aspirador de secreções; 
• foco auxiliar; 
• banco giratório; 
• balde inoxidável com rodízios; 
• suportes: de braço, hamper, bacia e soro; 
• escada de dois degraus; 
• estrado; 
• equipamentos utilizados para ajudar no posicionamento do paciente, tais como: coxins de areia ou espuma de diferentes tamanhos e talas; 
• carro para materiais de consumo e soluções antissépticas (o qual pode ser dispensado, quando houver local adequado para a colocação destes materiais como, por exemplo, prateleiras); 
• carro para materiais estéreis; 
• aparelhos monitores; 
• balança para pesar compressas e gazes. 
São exemplos de equipamentos moveis que podem ser acrescentados à sala cirúrgica: suporte de trépano, microscópio, máquina para circulação extracorpórea e outros.


SALA DE RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA
.A Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA) é a área que se destina a permanência do paciente logo após o término do ato anestésico-cirúrgico. Neste local, o paciente fica sob os cuidados das equipes de enfermagem e médica, especialmente, o anestesista. 
A Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA) deve estar instalada dentro da Unidade de Centro Cirúrgico ou nas suas proximidades, de modo a favorecer o transporte fácil do paciente anestesiado para este local.

Organização da sala de recuperação pós-anestésica 
A Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA) deve ser provida de equipamentos básicos, em perfeitas condições de uso para atender a qualquer situação de emergência. Didaticamente, tais equipamentos e materiais de uma Recuperação Pós-Anestésica podem ser divididos em:
a) equipamentos básicos, geralmente, fixos a parede, acima da cabeceira de cada leito: 
duas saídas de oxigênio com fluxômetros; 
uma saída de ar comprimido; 
uma fonte de aspiração a vácuo; . 
um foco de luz; 
tomadas elétricas de 110 e 220 watts; 
monitor cardíaco; 
oxímetro de pulso; 
esfigmomanômetro. 

b) equipamentos e materiais de suporte respiratório: 
ventiladores mecânicos; 
máscaras e cateteres para oxigênio (O2); 
sondas para aspiração; 
carrinho de emergência, com material completo para intubação orotraqueal e ventilação manual. 

c) equipamentos e materiais de suporte cardiovascular: 
equipos de soro e transfusão, cateteres, seringas e agulhas; 
equipos para medida de pressão venosa central (PVC). 

d) outros materiais: 
bandeja de cateterismo vesical; 
sondas vesicais de demora; 
sistema de drenagem vesical; 
pacotes de curativos; 
bolsas coletoras para drenos e ostomias; 
gazes; chumaços e adesivos; 
termômetros; 
frascos e tubos esterilizados para coleta de sangue; 
fitas reagentes para dosagem de glicose no sangue e urina; 
caixa de pequena cirurgia; 
medicamentos e soros; 
soluções desinfetantes e antissépticas; 
cilindros de O2 e ar comprimido e aspirador elétrico; , 
travesseiros, almofadas, cobertores e talas. 
É conveniente destacar que as camas para uso na Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA) devem ser do tipo cama-maca, providas de grades laterais de segurança, manivelas para dar posição de proclive e trendelemburg, encaixes para adaptar suportes de soro e cabeceira removível para facilitar o atendimento em situações de emergência.

TRANSPORTE DO PACIENTE DA SALA DE OPERAÇÃO(SO) PARA A SALA DE RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA(SRPA)
A transferência do paciente pós-operatório da sala de operação para a unidade de recuperação pós-anestésica e responsabilidade do anestesiologista ou anestesista. Durante o transporte da sala de operação para a SRPA, o profissional de anestesia permanece a cabeceira da maca (para manter as vias aéreas do paciente) e um membro da equipe cirúrgica permanece na outra extremidade. O transporte do paciente compreende considerações especiais sobre o local de incisão do paciente, as potenciais alterações vasculares e a exposição. A incisão cirúrgica é observada a cada momento em que o paciente no pós-operatório é mobilizado; muitas feridas são fechadas sob considerável tensão, e todo esforço é feito para prevenir um maior tensionamento sobre a incisão. O paciente é posicionado de modo que ele não deite sobre nem obstrua drenos ou tubos de drenagem. 
O paciente deve ser mobilizado lenta e cuidadosamente. Tão logo ele seja colocado sobre a maca ou leito, a camisola suja é retirada e substituída por uma seca. O paciente é coberto com cobertores leves e aquecidos. As grades laterais são elevadas para proteger contra quedas.


BIBLIOGRAFIA

Centro Cirúrgico: Planejamento, Organização e Gestão- João Francisco Possari- 
Editora Érica






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