segunda-feira, 2 de maio de 2016

TÉCNICA DE ESCOVAÇÃO E PARAMENTAÇÃO CIRÚRGICA



A paramentação da equipe cirúrgica exige a realização de procedimentos específicos, executados em passos padronizados e com observação rigorosas dos princípios científicos. Estes procedimentos são: degermação das mãos, vestir avental e roupa esterilizados, e calçar luvas esterilizadas.


     Degermação das mãos e antebraços

     Este procedimento se justifica por que a pele, normalmente, é habitada por duas populações bacterianas, ou seja, a flora residente e a transitória.

       a) Flora residente: é constituída pro microrganismos capazes de sobreviverem e se multiplicarem na superfície cutânea e folículos pilosos, sendo portanto de difícil remoção. Os estafilococos coagulase negativa, corynebactéria (difteróides e corniformes), acinelobactéria e outros são microrganismos comumente encontrados na flora residente.

b) Flora transitória: também conhecida como flora de contaminação, é composta por microrganismos diversos e de virulência variadas. Estes microrganismos nem sempre estão presentes na superfície da pele da maioria das pessoas e são removidos mais facilmente., algumas bactérias Gram-negativas (como, por exemplo, E. coli) têm condições mínimas de sobrevivência sobre a pele.


       A degermação das mãos e antebraços da equipe cirúrgica deve promover a eliminação da flora transitória e redução da flora residente e, ainda, o retardamento da recolonização da flora residente pelo efeito residual. Sabe-se que, após a realização de tal procedimento, estes microrganismos multiplicam-se.


Técnica de Escovação Cirúrgica das Mãos

  Indicada para preparo das mãos e antebraços antes de qualquer procedimento cirúrgico.

Soluções antissépticas com detergentes recomendados
• Solução detergente de PVP-I a 10% (1% de iodo ativo)
• Solução detergente de clorexidina a 2% ou 4% (alternativa para pessoas alérgicas ao PVPI).

Materiais e equipamentos necessários
• Pias com pedal ou torneira acionada por pé ou cotovelo
• Água
• Escova esterilizada
• Solução antisséptica em dispensadores
• Toalha ou compressa esterilizada

PROCEDIMENTO:

A remoção mecânica dos detritos pode ser realizada por escovação ou fricção:

ü  as escovas devem ser macias e descartáveis ou convenientemente esterilizadas, e de uso individual;
ü  molhar as mãos e antebraços com água corrente. A torneira deve ser acionada por pé ou cotovelo, e não manualmente;
ü  aplicar a solução antisséptica sobre a palma da mão, espalhar com movimentos de fricção ou escovação, iniciando pelas extremidades dos dedos, com especial atenção sobre os leitos subungueais e espaços interdigitais. O processo deve continuar pelas faces das mãos e antebraços;
ü  o processo todo deve durar rigorosamente cinco minutos para a primeira cirurgia e três minutos entre dois procedimentos;
ü  enxaguar em água corrente a partir das mãos par ao cotovelo. A torneira deve ser fechada com o cotovelo ou por outro profissional, mas não com as mãos;
ü   durante todo o processo, as mãos devem estar sempre acima do nível dos cotovelos;

ü  enxugar com compressa esterilizada, obedecendo à direção das mãos para os cotovelos, com movimentos compressivos e não de esfregão.



Paramentação cirúrgica e EPI
A paramentação corresponde à troca das vestes rotineiras por vestimentas adequadas antes do
ato cirúrgico.

Indicação: todas as pessoas envolvidas no trabalho do centro cirúrgico, principalmente dentro
das salas de operação, devem usar roupas apropriadas.

A importância da paramentação é proteger a área a ser operada da flora liberada pela equipe
cirúrgica e esta da exposição às secreções dos pacientes. A troca de roupa (pelo pijama
cirúrgico, gorro e propés) deverá ser feita no vestiário, que corresponde à zona de proteção do
Centro Cirúrgico, sendo seguida da colocação do avental e das luvas estéreis após a escovação
das mãos e entrada na sala cirúrgica, propriamente dita.

• Uniforme privativo
O uso de uniforme privativo feito de tecido com porosidade de 7 a 10 micra e o fechamento das
calças nos tornozelos pode reduzir a dispersão de bactérias. Tal uniforme nunca deve ser usado
fora da área do Centro Cirúrgico.

• Aventais cirúrgicos
Os aventais convencionais devem ser confeccionados em material resistente à penetração de
líquidos e microrganismos e ao desgaste e à deformação. Devem possuir uma única camada de
tecido, geralmente algodão ou brim. Os aventais devem se confeccionados em tamanhos
adequados, garantindo o fechamento completo, conforto e total cobertura a partir do pescoço e
membros. Na altura dos punhos, devem possuir tramas resistentes ao desgaste. Periodicamente
devem ser inspecionados à integridade e durabilidade. Aventais impermeáveis descartáveis
representam outra opção.
A colocação do avental deve ser feita de maneira cuidadosa a fim de evitar a contaminação do
mesmo. Este deve ser segurado com ambas as mãos, as quais serão introduzidas
simultaneamente através das mangas. A porção posterior do avental é, então, tracionada.

• Máscara cirúrgica
O uso correto da máscara cirúrgica evita ou reduz a eliminação de microrganismos no ambiente
e protege o profissional contra respingos de secreções oriundas do paciente. Apresentam vida
útil de 2 horas. Deve ser usada por todos na sala de operação e cobrir boca e nariz e estar junto
a face. São preferíveis as máscaras com dupla gaze de algodão ou de polipropileno ou poliéster.

Paramentação com roupas estéreis
As roupas estéreis são utilizadas para prevenir a contaminação do campo operatório mediante
contato direto do corpo do cirurgião com o do paciente. Todas as pessoas que entram em
campo operatório, bem como aquelas que manipulam os materiais e instrumentais estéreis
como é o caso do instrumentador cirúrgico devem usar aventais e luvas estéreis 

Passo a Passo

1- Após a escovação das mãos secá-las na compressa esterelizada. Deve-se utilizar um lado da
compressa para cada antebraço.
2- Segurar o capote esterelizado pelas dobraduras da gola e deixa que o restante dele se desdobre
e fique esticado. Pela face interna introduza em um único movimento, ambas as mãos e antebraço
pelas mangas do capote.
3- O circulante da sala, pela face interna do capote, ajusta-o e o amarra na seqüencia os cadarços
da gola e da cintura.
4- Calçar as luvas cirúrgicas
Observações:
  •      As luvas cirúrgicas, são a únicas adequadas para os procedimentos cirúrgicos, devendo obrigatoriamente ser estéreis, idealmente devem cobrir mãos e dedos, estendendo-se por sobre os punhos dos aventais, onde ficam aderidas devido à pressão elástica do punho da própria luva. 

  •      Gorros, máscaras, aventais, calças, jalecos e propés devem ser retirados imediatamente quando molhados ou sujos. Os aventais, os propés e as luvas cirúrgicas devem ser tirados ainda na sala cirúrgica.






LEIA:




REFERÊNCIAS

1- Centro Cirúrgico e os Cuidados de Enfermagem- 
Nívea Cristina Moreira Santos- 
Editora Iatria

2- Centro Cirúrgico: Planejamento, Organização e Gestão- 
João Francisco Possari- 

Editora Érica


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