sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Imunização

IMUNIZAÇÃO

A imunização é um conjunto de métodos terapêuticos destinados a conferir ao organismo um estado de resistência, ou seja, de imunidade, contra determinadas enfermidades( doenças) infecciosas. É uma das estratégias de prevenção mais significativas.
No mesmo nível de importância, como medida de proteção e promoção á saúde infantil, estão a amamentação, o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento e o controle, e o tratamento precoce da diarreia infantil. As crianças são as que mais sofrem com a situação sócio-econômica de países subdesenvolvidos, como o Brasil. Este fato reflete-se nos altos índices de mortalidade( em algumas regiões do País), e a formação de contingentes de indivíduos com sequelas físicas, intelectuais, psicológicas, decorrentes de doenças preveníveis por esquemas básicos de imunização.
Tipos de Imunidade
A imunidade pode ser Natural ou Adquirida
  • Imunidade Natural: Compreende  mecanismos inespecíficos de defesa de pele, pH, e a imunidade conferida pela mãe através da via transplacentária e pelo leite materno.
  • Imunidade Adquirida: Pode ser espontânea, após um processo infeccioso, ou induzido de maneira "ATIVA ou PASSIVA." 
  1. Imunidade Adquirida Passiva: Através da administração de anticorpos previamente formados( imunoglobulinas) ou soros hiperimunes. Útil em pacientes/clientes com defeito na formação de anticorpos ou imunodeprimidos.
  2. Imunidade Adquirida Ativa: Através do uso de microorganismos vivos atenuados, mortos e componentes inativados de microorganismos( vacinas).
Vacinas
As vacinas são produtos biológicos que protegem os indivíduos contra certas doenças. Podem ser fabricadas a partir de partes dos microrganismos que estimulam o seu organismo a constituir sua proteção.
Quando o indivíduo é vacinado (ou “imunizado”), o seu organismo tem a oportunidade de prevenir a doença sem os riscos da própria infecção. O organismo do paciente desenvolve proteínas protelaras chamadas “anticorpos” que destroem o microrganismo.
O organismo pode guardar na memória como produzir esses anticorpos durante muito tempo, muitas vezes a vida toda. Desta forma, se a paciente estiver exposto novamente à doença, os anticorpos serão capazes de inibir os microrganismos antes que eles encontrem uma formo de causar a doença.
Origem e Controle dos Produtos
A fabricação dos imunobiológicos é feita por laboratórios nacionais( Biomanguinhos, Butantã) e internacionais a partir de cepas e meios de cultura inicialmente padronizados e provenientes de instituições de referência da Organização Mundial de Saúde( OMS).
O controle de qualidade deve seguir critérios da OMS e ser realizado pelo laboratório produtor e pelo Instituto Nacional de Controle e Qualidade em Saúde(INCQS)
A conservação dos imunobiológicos( vacinas, imuno globulinas e soros) nas unidades de saúde devem ser realizadas em geladeiras específicas, fora do congelador, em temperaturas de + 2 a + 8 º C.
Contra-Indicações Gerais das Vacinas
Os imunobiológicos vivos atenuados não devem ser administrados em pessoas:
  • com imunodeficiência congênita ou adquirida;
  • acometidos por neoplasias malignas;
  • em tratamento com altas doses de corticosteróides( dose em criança de 2 mg/Kg/dia ou doses em adulto de 20 mg/dia ou mais). Deve ser adiada a imunização até 3 meses após o término do tratamento;
  • submetidos a tratamentos quimioterápicos, antineoplásicos, radioterapias, etc;
  • grávidas, salvo situações de alto risco de exposição a algumas doenças virais imunopreveníveis, como febre amarela, por exemplo.
  • durante a evolução de doenças agudas febris graves;
  • não recomenda-se aplicar a BCG em crianças com menos de 2.000 gramas;
OBSERVAÇÃO: Com relação a pacientes/clientes HIV positivos assintomáticos, poderão receber todas as vacinas dos esquema básico. Os pacientes/clentes com AIDS só não poderão receber a BCG. Há casos em que a vacinação precisa ser somente adiada.
Falsas Contra-indicações
  • doenças infecciosas ou alérgicas do trato respiratório superior( tosse, coriza)
  • diarréia leve ou moderada;
  • doenças de pele( impetigo, escabiose);
  • história pregressa de doenças sem comprovação sorólogica ou diagnóstica;
  • desnutrição;
  • uso de qualquer antimicrobiano;
  • doença neurológica estável ou antecedente familiar de convulsão;
  • tratamento com corticosteróide de curta duração( < 2 semanas) e doses baixas;
  • alergias não relacionadas aos componentes das vacinas;
  • prematuridade ;
  • internação hospitalar.
Eventos Adversos
  • Infecção no local da inoculação;
  • complicações devido a outroostos dos produtos imunizantes( hidróxiodo de alumínio);
  • encefalite pós-vacinal, quando da utilização de antígenos vivos;
  • agravamentos de enfermidades crônicas cardíacas, renais, do sistema nervoso central;
  • reações locais gerais: nódulos, edemas, dor, mal estar, lipotimia, etc
  • reações de hipersensibilidade;
  • complicações específicas secundárias á natureza e tipos de antígenos ou substâncias fontes de anticorpos.
Calendário de Vacina Infantil e Vacinas 2014
BCG (vacina contra a tuberculose)
A doença infecto contagiosa é causada pelo bacilo Koch e é caracterizada pela formação de tubérculos (pequena massa de nódulos) em qualquer parte do corpo, mas que afeta principalmente os pulmões.
- A vacina BCG é dada em única dose. Nos que convivem no mesma casa da pessoa com hanseníase, independente da forma clínica, uma segunda dose pode ser dada, com intervalo mínimo de 6 meses, após a primeira;
- O Programa Nacional de Imunização (PNI) recomenda uma segunda dose da vacina quando, após 6 meses, não se observa cicatriz no local da aplicação.

- O PNI recomenda uma segunda dose da vacina quando, após 6 meses, não se observa cicatriz no local da aplicação.

Hepatite B

- É uma doença infecciosa, normalmente crônica, que é transmitida por meio de relações sexuais ou por agulhas contaminadas. Ela pode progredir para cirrose hepática ou cancro do figado (câncer ou hepatocarcinoma).
- A vacina deve ser aplicada nas primeiras 12 horas de vida. A segunda dose pode ser dada quando o bebê tiver 1 ou 2 meses de idade. As crianças com peso de nascimento igual ou inferior a 2 quilos ou com menos de 33 semanas de vida, devem receber quatro doses da vacina (esquema 0,1,2 e 6 meses): a primeira ao nascer; a segunda 1 mês depois do parto; a terceira 1 mês após a segunda e a quarta, 6 meses depois da primeira;
- A combinada A+B pode ser utilizada nas primeiras aplicações de vacinas desses indivíduos e o esquema deve ser completado com a mesma vacina (combinada).
- As crianças e adolescentes não vacinados no esquema anterior devem receber vacina no esquema 0, 1, 6 meses;

Hepatite A

É uma doença infecciosa aguda que afeta o fígado, produzindo necrose e inflamação do órgão. Ela é transmitida por vírus por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados.
- A vacina deve ser dada aos 12 e 18 meses de idade;
- A combinada A+B pode ser utilizada nas primeiras aplicações de vacinas desses indivíduos e o esquema deve ser completado com a mesma imunização (combinada), se não tomou a vacina contra hepatite B no primeiro ano.

Rotavírus

Trata-se de um vírus que causa diarreia grave, que frequentemente vem acompanhada de febre e vômitos. Também é um importante agente da gastroenterites (infecções no sistema gastrointestinal) e é um dos causadores de óbitos em crianças de até 5 anos de idade em todo mundo.
- A vacina monovalente deverá ser dada em duas doses, aos 2 e 4 meses de vida. A primeira aplicação deverá ser feita de 6 até, no máximo, 14 semanas. O intervalo mínimo entre as doses é de 4 semanas. A segunda, deverá ser administrada até 24 semanas de idade;
- A vacina pentavalente deverá ser dada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses. A primeira dose deverá ser administrada até 12 semanas e a terceira, deverá ser aplicada até, no máximo, 32 semanas. O intervalo mínimo é de 4 semanas entre elas;
- Os benefícios demonstrados com a vacina contra o rotavírus superam os eventuais efeitos adversos atribuídos à ela.

DTP (vacina contra difteria, tétano e coqueluche)

A difteria é uma doença infectocontagiosa que afeta as mucosas e provoca inflamação da garganta, nariz e, às vezes, dos brônquios e traqueia. A transmissão é feita pelo contato direto com as gotículas da tosse, fala ou espirro e também pode haver contagio por meio da pele.
Já o tétano é uma doença infecciosa, mas não contagiosa, causada por uma toxina da bactéria clostridium. Ela é encontrada nas fezes de animais e seres humanos e quando depositados na areia ou no solo, podem entrar em contato com a pele, por meio de qualquer tipo de ferimento. O tétano causa espasmos dos músculos, inicialmente, do pescoço e da mastigação, depois ocorre a rigidez progressiva e e os músculos respiratórios são atingidos, o que pode levar à morte.
E a coqueluche que é uma doença infecciosa, altamente contagiosa, atinge o trato respiratório e causa intensa bronquite. A transmissão é feita por meio das gotículas respiratórias e o ser humano é o único hospedeiro da bactéria.
- A vacina Difteria, Tríplice e Pertússis (tríplice bacteriana – DTP) ou células inteiras é eficaz e bem tolerada. Quando possível, aplicar a DTP (acelular), devido à sua menor reatogenicidade (conjunto de reações às vacinas).
dT /dTpa (vacina de proteção contra difteria e tétano / imunização contra a difteria, tétano e a coqueluche acelular - tríplice bacteriana)
- Os reforços são indicados a cada 10 anos para dT. Se o adolescente nunca tiver sido imunizado ou desconhecer as vacinas que já tomou, um esquema de três doses deve ser indicado, preferencialmente da dTpa, pois esta imunização apresenta proteção adicional contra coqueluche. As duas primeiras doses devem ter um intervalo de 2 meses (mínimo de 4 semanas) e a terceira, 6 meses após a segunda – ou – três doses com intervalo de 2 meses entre elas (mínimo de 4 semanas);
- A diferença entre a vacina DTP e dTpa é que a primeira é composta por células inteiras das bactérias, enquanto que a segunda não contém as células inteiras que causam a coqueluche, e sim, alguns de seus componentes celulares.

Hib (Vacina Haemophilus de Infância do tipo B)

O germe Haemophilus influenza tipo B, conhecido como Hib causa meningite (infecção nas meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal) em crianças de até 5 anos de idade.
- Se usada uma vacina combinada Hib/dTpa (tríplice acelular), uma quarta dose da Hib deve ser aplicada aos 15 meses de vida. Essa última contribui para evitar o ressurgimento das doenças invasivas a longo prazo.

Pólio (Poliomielite) – VOP/VIP

A Poliomielite também conhecida como Pólio é uma doença causada por vírus e é altamente contagiosa. Ela atinge normalmente as crianças pequenas e é transmitida por meio de alimentos e água contaminados. Este vírus se multiplica no intestino e pode invadir o sistema nervoso. A doença causa paralisia e deformações no corpo.
- As duas primeiras doses da vacina devem ser do tipo inativada. As doses subsequentes ficam a critério de cada serviço/ pediatra. Recomenda-se que todas as crianças com menos de 5 anos de idade recebam VOP nos dias nacionais de vacinação.

Pneumocócica conjugada

As doenças pneumocócicas são aquelas causadas pela bactéria Streptococus pneumoniae (pneumococo) e incluem bacteremia e sepse (infecção na corrente sanguínea), sinusite e otite média (infecção do ouvido), meningite e pneumonia.
- A vacina é indicada a todas às crianças de até 5 anos de idade. Recomendam-se três doses de Pneumocócica conjugada no primeiro ano de vida (2, 4 e 6 meses), e uma de reforço entre 12 e 18 meses de idade;
- Crianças saudáveis, que tomaram as quatro primeiras doses da vacina 7 ou 10 valente, devem receber uma dose adicional com a vacina 13 valente até os 5 anos de idade;
- Os pequenos com risco aumentado para doença pneumocócica invasiva (DPI) entre 2 e 18 anos devem receber uma dose adicional com a vacina 13 valente;
- Para crianças ou adolescentes com alto risco para DPI (vide recomendações presentes nos CRIEs - Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais), recomenda-se também a vacina pneumocócica polissacarídica 23 valente, de acordo com o calendário, mesmo que tenham recebido a vacina conjugada pneumocócica anteriormente.

Influenza

A Influenza também é conhecida como gripe e existem três tipos de vírus que causam a doença: A, B e C.
- A vacina é recomendada dos 6 meses aos 5 anos para todas as crianças. A partir dessa última idade, passa a ser indicada para grupos de maior risco, conforme indicação do Centro de Imunobiológicos Especiais;
- A primeira vacinação de crianças com idade inferior a 9 anos deve ser feita em duas doses, com intervalo de 1 mês. A quantidade para aqueles com idade entre 6 a 36 meses é de 0,25ml e depois dos 3 anos de idade, é de 0,5ml. A partir dos 9 anos é administrada apenas uma (0,5 ml) anualmente;
- A Influenza é uma doença sazonal e a imunização está indicada nos meses de maior prevalência da gripe, estando disponível apenas nessa época do ano, sendo desejável a sua aplicação antes do inicio desse período.

HPV (sigla em inglês para papiloma vírus humano)

Os HPV são vírus que causam lesões na pele e mucosa. A transmissão se dá por contato direto com o local infectado, por meio das relações sexuais. Eles ficam nos órgãos genitais, mas existem, estudos que mostram que podem estar na pele, na laringe (cordas vocais) e no esôfago.
- Existem duas vacinas diferentes disponíveis no mercado contra o HPV administradas em 3 doses a partir dos 9 a 10 anos de idade (depende da indicação do fabricante).

SRC (vacina contra sarampo, caxumba e rubéola)

O sarampo é uma doença infeciosa, contagiosa e causada por um vírus. Muito comum na infância, ocasiona pele avermelhada, com placas que têm tendência a se unirem e a enfermidade compromete vários órgãos. A transmissão se dá por meio das gotículas da respiração.
Já a caxumba é uma doença infecciosa, causada por vírus, e que infecciona uma ou mais glândulas salivares. O vírus se espalha por meio de espirros, tosses, objetos contaminados por saliva e provavelmente por urina.
Também causada por vírus, a rubéola, atinge crianças e adultos. Esta infecção causa febre, algumas manchas pelo corpo e aumento dos gânglios linfáticos. É transmitida por inalação de gotículas de secreção nasal ou por meio do sangue, no caso dos fetos, que são atingidos quando a mulher está grávida.
- A segunda dose da SCR pode ser aplicada dos 4 aos 6 anos de idade, ou nas campanhas do seguimento. Todas as crianças e adolescentes devem receber ou ter recebido duas doses de SCR, com intervalo mínimo de 1 mês. Não é necessário dar mais de duas aplicações.

Varicela (catapora)

A doença é causada por vírus e é infecciosa e contagiosa. Causa vermelhidão na pele. A transmissão é feita pelo contato direto com as lesões contaminadas pelo vírus ou de uma para outra via respiratória.
- A vacina da varicela em dose única protege contra formas graves da doença. Ela deve ser administrada em duas doses a partir dos 12 meses de vida. Na rotina, a segunda deve ser aplicada entre 4 e 6 anos de idade;
- Crianças com menos de 4 anos de vida, que receberam apenas uma dose da vacina e apresentem contato domiciliar ou em creche com indivíduo que tenha a doença, pode antecipar a segunda dose da vacina, com intervalo mínimo de 3 meses;
- Durante surtos ou após contato íntimo com caso de varicela, é possível vacinar crianças de 9 e 12 meses, entretanto, as doses administradas antes de 1 ano não devem ser consideradas como válidas;
- A vacinação pode ser indicada na prevenção pós-exposição à doença, dentro de 5 dias após contato, sendo preferível nas primeiras 72 horas. Os adolescentes suscetíveis, com mais de 13 anos de idade, devem receber duas doses, com 4 semanas de intervalo (mínimo) entre as elas;
- A vacina quádrupla viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) pode ser utilizada no lugar das dadas separadas, tríplice viral e varicela.

Meningocócica Conjugada

A meningocócica é uma infecção bacteriana que pode se manifestar de duas formas: inflamação da membrana do cérebro e coluna espinha (meningite menigocócica) ou a infecção sanguínea (meningococemia). A transmissão é feita por contato direto com as secreções do nariz e garganta ou pela saliva.
- Recomendam-se duas doses da vacina conta meningococo C conjugada no primeiro ano de vida, e uma outra de reforço entre 12 e 18 meses de idade, independentemente do fabricante. Após os 12 meses de vida, deve ser aplicada em dose única. A imunização meningocócica C conjugada não deve ser substituída pela polissacarídica (vacina usada para prevenir certos grupos de bactérias meningococos) na vacinação de rotina;
- A vacina Meningocócica A,C,Y e W135 deve ser aplicada em dose única a partir de 11 anos, nos adolescentes não vacinados, e também como reforço para os que tomaram nos 2 primeiros anos de vida.

Febre Amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, causada por um vírus e transmitida por um mosquito. Ela tem curta duração (cerca de 10 dias).
- A vacina contra doença deve ser dada 10 dias antes do contato com áreas de risco e tem duração de 10 anos;
- A imunização contra febre amarela é indicada para os residentes e viajantes para as áreas infectadas, de transição e de risco potencial. A aplicação deve ser feita a partir dos 9 meses de vida.


Bibliografia:

Vacinas- Orientações Práticas: Lourdes Bernadete S. P. Alexandre e Rosana David

Páginas da Internet

Ministério da Saúde: www.saude.gov.br/svs
Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde: www.anvisa.gov.br
Centro de Vigilância Epidemiológica(CVE) de São Paulo: www.cve.saude.sp.gov.br
Sociedade Brasileira de Imunização: www.sbim.org.br
Sociedade Brasileira de Pediatria: www.sbp.com.br

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